DO MAL-ESTAR NA CIVILIZAÇÃO À CRISE DA MASCULINIDADE: DESAMPARO, HEGEMONIA E REINVENÇÃO DO SER HOMEM NA CONTEMPORANEIDADE
Palabras clave:
mal-estar, MASCULINIDADE, masculinidade hegemônica, PsicanáliseResumen
O artigo analisa a chamada crise da masculinidade como uma configuração historicamente situada do mal-estar constitutivo da vida contemporânea. Parte-se da hipótese de que o sofrimento masculino parte da desestabilização de uma promessa patriarcal: a de que a obediência aos mandatos de força, provisão, autoridade, heterossexualidade e invulnerabilidade garantiria reconhecimento e domínio. Trata-se de uma pesquisa teórico-bibliográfica, de abordagem qualitativa e interdisciplinar, que articula a metapsicologia freudiana, contribuições psicanalíticas contemporâneas e o campo crítico dos estudos sobre homens e masculinidades. O material bibliográfico foi submetido à análise temática de conteúdo, na perspectiva de Bardin, contemplando as etapas de pré-análise, exploração do material e tratamento interpretativo dos resultados. A análise foi orientada por quatro operadores definidos a priori: desamparo, renúncia pulsional, hegemonia e identificação. A partir de Connell e Messerschmidt, a masculinidade hegemônica é compreendida como um padrão relacional, múltiplo, mutável e hierarquizado, e não como uma personalidade masculina universal. O estudo, a partir de pesquisas empíricas sobre trabalho e saúde mental evidenciam que os ideais de provedor, autossuficiência e desempenho convertem a vulnerabilidade em vergonha, dificultam a busca por cuidado e favorecem respostas agressivas ou autodestrutivas. Conclui-se que a crise pode funcionar tanto como reação defensiva à perda de privilégios quanto como abertura para masculinidades menos rígidas. À clínica e às políticas públicas cabe acolher o sofrimento sem restaurar a soberania masculina, sustentando responsabilização, elaboração afetiva, cuidado e democracia de gênero.
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